Eu sei que nada tenho a dizer,
Mas acabei dizendo sem querer
Palavra bandida!
Sempre arruma um jeito de escapar (hum!)
Seria tudo muito melhor
Se a música falasse por si só
Dá raiva da vida
Nada existe sem classificar (não!)
Penso, tento
Achar palavras pro meu sentimento
Tanto é pouco, nada diz
Não é triste, nem feliz
Mesmo sendo
Um pranto, um choro ou qualquer lamento
Nada importa, tanto faz
Se é pra sempre ou nunca mais
Pensei em mil palavras, e enfim
Nenhuma das palavras coube em mim
Não vejo saída
Como vou dizer sem me calar?
Diria mudo tudo o que faz
Minha vida andar de frente para trás
Uma frase perdida
Num discurso feito de olhar
Penso, tento
Achar palavras pro meu sentimento
Tanto é pouco, nada diz
Não é triste, nem feliz
Mesmo sendo
Um pranto, um choro ou qualquer lamento
Nada importa, tanto faz
Se é pra sempre ou nunca mais
Não é meigo, nem é lindo
Não é raso, não é pouco, nem é tudo
Não é fato, nem é mito
Não é raro, não é oco, nem é nulo
Não é isso, não é outro
Não é chato, não é mito, naõ é chulo
Não, não, não, não
Eu sei que nada tenho a dizer
Pensei em mil palavras, e enfim
Seria tudo muito melhor
Pensei
Seria
Se um dia alguém puder me entender
(Móveis Coloniais de Acaju)
http://www.youtube.com/watch?v=bEiMpE289Mg
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Violins Cab For Cutie.
Não bastasse aquela letra sensacional e que descreve tão bem a Thais, O Pregador ironicamente parece ter saído de uma das sessões de gravação do We Have the Facts and We're Voting Yes.
De Old Books à Cab For Cutie.
De Old Books à Cab For Cutie.
Aiaiaiaiaiaiai...
Enquanto isso, no divã...
- Minha vida é um gráfico.
- Um gráfico?
- Isso, uma senóide - digo enquanto faço as curvas com o dedo no ar.
- "Minha vida é um gráfico"... Engraçado isso...
Off: melhor falar em gráfico do que em coito interrompido.
- Um gráfico?
- Isso, uma senóide - digo enquanto faço as curvas com o dedo no ar.
- "Minha vida é um gráfico"... Engraçado isso...
Off: melhor falar em gráfico do que em coito interrompido.
Insônia (2)
Na verdade ainda não estou com insônia. Mas temo que em pouco tempo possa estar novamente.
Terminei há questão de minutos de ler O Lobo da Estepe. Ainda estou meio confuso quanto ao que li - tanto por não ser uma obra das mais simples, quanto, principalmente, por tê-lo lido por lê-lo.
Tanta coisa atravessa a minha cabeça ao mesmo tempo. Parece que a cada instante a vida morre, algo se perde para sempre. E não digo isso apenas pela inevitabilidade do tempo - sim, estamos em um contínuo.
O problema é que invariavelmente você, Thais, continua a habitar meus pensamentos. Ainda hoje estava relendo um dos primeiros posts desse blog, talvez o primeiro em termos de profundidade, ao qual intitulei, por conta da poesia do Drummond, Congresso Internacional do Medo. Sem que eu sequer me lembrasse acabei percebendo que eu já havia chegado a uma conclusão a qual a mesma me confidenciou em conversa via msn ontem.
E reler aquele post ainda hoje faz tanto sentido para mim. O post que abre toda a minha especulação em torno dela. E que, no entanto, contem a chave para o entendimento da Thais. E é exatamente do mesmo inconformismo que padeço diante de um destino aparentemente tão certo. A sensação de ter tanto a fazer, a dizer, a sentir e saber que isso irá ficar preso dentro de você é angustiante. Não é possível pura e simplesmente que as coisas tenham que ser como são. É essa a frase que martela minha cabeça.
Terminei há questão de minutos de ler O Lobo da Estepe. Ainda estou meio confuso quanto ao que li - tanto por não ser uma obra das mais simples, quanto, principalmente, por tê-lo lido por lê-lo.
Tanta coisa atravessa a minha cabeça ao mesmo tempo. Parece que a cada instante a vida morre, algo se perde para sempre. E não digo isso apenas pela inevitabilidade do tempo - sim, estamos em um contínuo.
O problema é que invariavelmente você, Thais, continua a habitar meus pensamentos. Ainda hoje estava relendo um dos primeiros posts desse blog, talvez o primeiro em termos de profundidade, ao qual intitulei, por conta da poesia do Drummond, Congresso Internacional do Medo. Sem que eu sequer me lembrasse acabei percebendo que eu já havia chegado a uma conclusão a qual a mesma me confidenciou em conversa via msn ontem.
E reler aquele post ainda hoje faz tanto sentido para mim. O post que abre toda a minha especulação em torno dela. E que, no entanto, contem a chave para o entendimento da Thais. E é exatamente do mesmo inconformismo que padeço diante de um destino aparentemente tão certo. A sensação de ter tanto a fazer, a dizer, a sentir e saber que isso irá ficar preso dentro de você é angustiante. Não é possível pura e simplesmente que as coisas tenham que ser como são. É essa a frase que martela minha cabeça.
É saber que o amor é algo realmente inútil que não nos leva a lugar nenhum - e que poderia muito bem nos levar. É ficar preso ao abismo do pensar, fingindo sentir. É o não tentar. Isso é o que dói.
De tudo ficaram três coisas: a certeza de que estamos sempre começando; a certeza de que é preciso continuar; a certeza de que seremos interrompidos antes de terminar. Portanto devemos fazer da interrupção um caminho novo; da queda um passo novo de dança; do medo, uma escada; do sonho, uma ponte e da procura, um encontro.
Quisera você estivesse certo, Sabino.
Quisera viver tivesse a ver com fome.
De tudo ficaram três coisas: a certeza de que estamos sempre começando; a certeza de que é preciso continuar; a certeza de que seremos interrompidos antes de terminar. Portanto devemos fazer da interrupção um caminho novo; da queda um passo novo de dança; do medo, uma escada; do sonho, uma ponte e da procura, um encontro.
Quisera você estivesse certo, Sabino.
Quisera viver tivesse a ver com fome.
(I Don't Know) Where I'm Anymore
Preste atenção aos corpos
pra sentir
preste atenção às coisas
pra sentir
Sentir. O abismo entre pensar e sentir. Pensar.
Porque tá sempre prestes a explodir na ânsia que tem de viver e de repente por isso que parece que vai viver pouco.
Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida...
Diariamente eu fico pensando na minha vida. E chego sempre a mesma conclusão: ela realmente é uma grande fantasia. Não é uma vida. É um pensamento a respeito da vida. Uma vida sem vida; quase minha vida sem mim. A impressão permanente que eu tenho é a de que sou um ator coadjuvante em minha própria vida. Quero tanto ter o controle sobre o que eu sinto, sobre o que eu penso e no entanto tudo isso não passa de uma farsa. Não passa de um efeito besta, de um enganar. A ação, a palavra, tudo isso que parece tão concreto, tão verdadeiro parece, no fim das contas, ser totalmente desprovido de realidade. É um mar cheio vazio no qual eu acho que estou flutuando. Falta justamente vida na minha vida - ou então eu não sei de fato o que é viver.
Sobreviver talvez seja a palavra que melhor se adapte a mim. Porque entre o viver e o sentir vivo existe um abismo profundo. Dá para contar nos dedos as vezes em que eu pude dizer que realmente me senti vivo. Eu fico pensando se a minha vida vai ser assim mesmo sempre, se daqui a 10, 20, 30 anos será a mesma coisa...
pra sentir
preste atenção às coisas
pra sentir
Sentir. O abismo entre pensar e sentir. Pensar.
Porque tá sempre prestes a explodir na ânsia que tem de viver e de repente por isso que parece que vai viver pouco.
Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida...
Diariamente eu fico pensando na minha vida. E chego sempre a mesma conclusão: ela realmente é uma grande fantasia. Não é uma vida. É um pensamento a respeito da vida. Uma vida sem vida; quase minha vida sem mim. A impressão permanente que eu tenho é a de que sou um ator coadjuvante em minha própria vida. Quero tanto ter o controle sobre o que eu sinto, sobre o que eu penso e no entanto tudo isso não passa de uma farsa. Não passa de um efeito besta, de um enganar. A ação, a palavra, tudo isso que parece tão concreto, tão verdadeiro parece, no fim das contas, ser totalmente desprovido de realidade. É um mar cheio vazio no qual eu acho que estou flutuando. Falta justamente vida na minha vida - ou então eu não sei de fato o que é viver.
Sobreviver talvez seja a palavra que melhor se adapte a mim. Porque entre o viver e o sentir vivo existe um abismo profundo. Dá para contar nos dedos as vezes em que eu pude dizer que realmente me senti vivo. Eu fico pensando se a minha vida vai ser assim mesmo sempre, se daqui a 10, 20, 30 anos será a mesma coisa...
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Mata Gente (Saudade)
Saudade é como um parafuso
Que quando não rosca cai
Só entra se for girando
Por que batendo não vai
Depois que enferruja por dentro
Pode quebrar que não sai
E seguem os mortos vivendo
E nosso amor nunca mais
Quem quiser plantar da saudade
Primeiro escalde a semente
Plante num lugar bem seco
Onde o sol bata mais quente
Pois se planta no molhado
Quando nasce mata gente
Chegou carta de manhã
Eu não me concentro em nada
Chegou carta de manhã
A pedra do peito está lavada
(Railton Sarmento)
Versão matadora e definitiva do Wado para ficar com o coração na mão:
http://www.youtube.com/watch?v=4oCk4iqSZzA
Que quando não rosca cai
Só entra se for girando
Por que batendo não vai
Depois que enferruja por dentro
Pode quebrar que não sai
E seguem os mortos vivendo
E nosso amor nunca mais
Quem quiser plantar da saudade
Primeiro escalde a semente
Plante num lugar bem seco
Onde o sol bata mais quente
Pois se planta no molhado
Quando nasce mata gente
Chegou carta de manhã
Eu não me concentro em nada
Chegou carta de manhã
A pedra do peito está lavada
(Railton Sarmento)
Versão matadora e definitiva do Wado para ficar com o coração na mão:
http://www.youtube.com/watch?v=4oCk4iqSZzA
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
O Jardineiro do Rei.
"Eu gostaria de te falar as palavras mais profundas que tenho para ti; mas não me atrevo, porque poderias rir de mim. Então eu me rio de mim mesmo e diluo o meu segredo em brincadeiras. Caçôo da minha dor, para que não caçoes tu...
Eu gostaria de te dizer as palavras mais verdadeiras que tenho para ti; mas não me atrevo, porque poderias não me acreditar. Então eu as disfarço em mentiras, dizendo o contrário do que eu gostaria. Torno absurda a minha dor, para que não o faças tu...
Eu gostaria de usar as palavras mais preciosas que tenho para ti; mas não me atrevo, porque poderias me pagar com palavras de igual valor. Então eu te falo com rudeza e caçôo de ti com a minha força endurecida. Eu te maltrato, para que jamais conheças a minha dor...
Eu gostaria de sentar-me ao teu lado, em silêncio; mas não me atrevo, para que o meu coração não me saia pela boca. Então eu fico tagarelando e brincando, escondendo o meu coração por trás das palavras. Controlo duramente a minha dor; para que não a controles tu..."
(Rabindranath Tagore)
Eu gostaria de te dizer as palavras mais verdadeiras que tenho para ti; mas não me atrevo, porque poderias não me acreditar. Então eu as disfarço em mentiras, dizendo o contrário do que eu gostaria. Torno absurda a minha dor, para que não o faças tu...
Eu gostaria de usar as palavras mais preciosas que tenho para ti; mas não me atrevo, porque poderias me pagar com palavras de igual valor. Então eu te falo com rudeza e caçôo de ti com a minha força endurecida. Eu te maltrato, para que jamais conheças a minha dor...
Eu gostaria de sentar-me ao teu lado, em silêncio; mas não me atrevo, para que o meu coração não me saia pela boca. Então eu fico tagarelando e brincando, escondendo o meu coração por trás das palavras. Controlo duramente a minha dor; para que não a controles tu..."
(Rabindranath Tagore)
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