sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Uma resenha.

Caro Tom,

Você é idiota. Encontrou o que acreditava ser a garota dos seus sonhos e imaginou que tudo seguiria como naquela cartilha:

Garoto encontra garota.
Garoto se apaixona por garota.
Garota se apaixona por garoto.
Os dois se separam.
E voltam para ficar juntos para sempre.

Só que no seu caso, cara, a garota nunca se apaixonou por você. Ela só te achava legal, divertido, boa companhia. Eu te acho legal. E idiota. Porque isso não quer dizer que eu esteja apaixonado por você.

Garotas como Summer não se apaixonam por caras como você. Aquela cena em que o cara fica cantando ela por meia hora antes de você resolver dizer que é o namorado, por exemplo. Meia hora. Sério? Inteligente, engraçado, bom gosto musical, conhecedor de cultura pop? Sim. Meio bocó? Também. Garotas como Summer acham caras como você fofinho, mas não se apaixonam por eles.

Como o narrador do filme diz, você consumiu cultura pop demais. A garota dos seus sonhos? “The one”? Amor eterno? À primeira vista? Não existe. Sabe o casal do “Apenas uma vez”? Eles se separaram depois do Oscar. E a Clementine e o Joel? Ela é casada com o Sam Mendes e ele anda numas viagens erradas de produzir e divulgar filmes de auto-ajuda.

Era tudo mentira.

A forma como o diretor Marc Webb constrói o seu relacionamento com Summer é genial. Uma mistura de gêneros. O início é como um documentário mesmo porque é aquela fase em que viramos entrevistadores / investigadores / pesquisadores querendo saber tudo sobre a pessoa. Depois, a cena do musical no dia seguinte à primeira transa. É exatamente como um cara tipo você se sente quando se dá bem com uma garota tipo a Summer.

O negócio é que aquele sentimento não dura.

Ele acaba, eventualmente. Aquela brincadeira de casinha na exposição de design é uma sátira genial dessa ilusão de como relacionamentos devem se desenvolver. Mas não é assim que acontece, certo? Porque aí vem aquela fase em que você cobra dela definições (porque, sim, você é a mulher da relação)...afinal, sexo no banheiro? Mãos dadas na exposição? Confidências pós-sexo? O que é isso tudo?

Mas a resposta desejada não é namoro, amor, o escambau. A definição para o que você quer ela diga é comédia romântica. Que vocês estão vivendo uma comédia romântica. Com um enorme “Felizes para sempre” no final. Só que isso só existe no cinema.

Enfim. Idiota. Mas você é legal também. Então...seguinte: deixe a cultura pop um pouco de lado, esqueça os filmes, as canções, os livros...eles mentem. Abrace a realidade: o chulé, as discordâncias, os gostos musicais ruins e a imperfeição nossa de cada dia. Pare de buscar o final de “A primeira noite de um homem”. Feche a janela e abra a porta.

Abraço amigo,

Daniel

P.S.: Mas aquela cena em que você vê o... e sai correndo...ou a outra em que ela te diz... E ainda aquele jeitinho... “você ainda trabalha com tal coisa? Ainda vai em tal lugar? Ainda sai com tais pessoas?” Tens o direito, cara. Putz. Pode dizer: VACA.

(Daniel Oliveira, Pilula Pop)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Grandes Versos.

Viver não faz falta quando o sonho é de alta definição.

(Sonhos de Alta Definição, Astromato)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A música do momento.

Contagem Regressiva.

Ou vai
Ou racha.

Filosofia.

No amor os caminhos certos só nos levam ao lugar errado.

(Roberto Santana)

sábado, 5 de dezembro de 2009

Crua.

- O que eu gosto em você? É isso o que você quer saber? Pois é simples: a carne. Dito dessa maneira tão crua e direta provavelmente a senhorita tomará esse elogio por uma ofensa vazia se valendo de argumentos baseados em um suposto machismo materialista do tipo “mas vocês homens só pensam em sexo, no culto ao corpo e insistem em nos tratar como meros objetos como se não houvesse nada além disso”, sem se dar conta que para vocês mulheres, também somos objetos, corpo, carne. Não significa dizer com isso que eu te ache estúpida, burra ou qualquer outra coisa do gênero, mas que o elogio mais importante e sincero que eu poderia lhe fazer é justamente te mostrar que a sua carne me atrai. De nada adiantaria você ter as idéias mais bonitas do mundo, mais perfeitas e coerentes, simplesmente porque estas idéias são intangíveis, não passam de vapor de ar. Que elas sejam atraentes, encantadoras não significa dizer que quem as profere as seja. Eu mesmo demorei a compreender o peso deste elogio. Porque há sempre o desejo em ser mais do que um corpo, a vontade da transcendência, de um verdadeiro entendimento, de uma completude que, no entanto, é sempre uma ilusão. E nisso, o elemento principal fica de fora, o concreto. O ar dentro do balão ninguém consegue enxergar, tampouco tocar. É efeito. Quando eu te digo que gosto da sua carne, eu digo sem você se dar conta, que gosto de você, por inteira, mas você mesma, toda, sem efeitos, sem ciladas. Você. E que é apenas pela carne que eu posso realmente entrar em contato com a sua intimidade, partilhar o existir. No ar as razões se perdem em algum momento. Só no corpo, no cimento é que elas se encontram e florescem. Pode parecer leviano tudo isso que eu estou te falando agora, mas se você parar para pensar um pouquinho, até que não é. Por isso eu repito: o que mais me fascina em você é a carne.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Placar.

Absurdo 2 x 0 Guilherme