quinta-feira, 14 de maio de 2009

Silêncio.

Mas se eu gritasse uma só vez que fosse, talvez nunca mais pudesse parar. Se eu gritasse ninguém poderia fazer mais nada por mim; enquanto, se eu nunca revelar a minha carência, ninguém se assustará comigo e me ajudarão sem saber; mas só enquanto eu não assustar ninguém por ter saído dos regulamentos. Mas se souberem, assustam-se, nós que guardamos o grito em segredo inviolável. Se eu der o grito de alarme de estar viva, em mudez e dureza me arrastarão pois arrastam os que saem para fora do mundo possível, o ser excepcional é arrastado, o ser gigante.

(A Paixão Segundo G.H., Clarice Lispector)

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Crédito.

But keeping things clean doesn’t change anything.

(Hate It Here, Wilco)

***

Apesar de Wilco (The Album) dever se chamar, na verdade, Wilco (The Error), um cara que escreve uma pérola dessas sempre tem seu crédito. Mas se lembre que a paciência acaba, Jeff querido!

terça-feira, 12 de maio de 2009

Boate Negra.

Num lance de velhas escadas
Te encontrei tão preocupada
Com o rosto pálido e a boca roxa
De quem se esqueceu pra onde vai
De onde o meu cérebro estava
Te analisei como cilada
Com os pontos fracos e os pontos fortes
De quem se vendeu para o diabo
Se vendeu pra não se dar
A decisão foi te seguir
Sem perguntar
Foi me deixar levar
Pra onde a confusão está
E antes que você se desfaça
Te seguirei sem pedir nada
Com os olhos calmos e o orgulho solto
Desaprendi a caminhar
No fim da linha de uma estrada
Te abandonei com pés descalços
Com o corpo farto e a barba longa
De quem morreu mas nunca cai
Morreu mas ainda sai
A indecisão também é minha
Deixa cansar
Ou se deixe então guiar
Pra onde a confusão está

(Distração, Beto Cupertino)

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Modus Operandi.

(...), mas (...).

Anti-Herói.

Quem já não se perguntou: sou um monstro ou isso é ser uma pessoa?

(Clarice Lispector)

Salvação.

Pessoal, vou narrar um acontecimento aqui pra vocês com toda a honestidade possível, em detalhe. Como todos aqui da comunidade sabem, estávamos com uma banda nova formada, com o excelente baterista Zé Junqueira, e tínhamos já cerca de 7 músicas ensaiadas. Estávamos entrando na fase final de composição de um total de 10 músicas para gravar um disco. Disco esse, diga-se de passagem, que temos de crédito no estúdio Rocklab, o mesmo em que gravamos o Tribunal Surdo e o Redenção dos Corpos, com o grande produtor Gustavo Vazquez. Até aqui, tudo bem. Na sexta-feira, feriado de 1º de maio, o Zé me ligou e me contou que havia sido chamado para entrar na banda Pedra Letícia, com vantagens financeiras que ele não tinha, obviamente, tocando com a gente. Ele então tomou a acertada decisão de se juntar ao Pedra Letícia, o que eu, no lugar dele, provavelmente teria feito também. Foi muito honesto com a gente e, bom que se diga, não houve nenhum tipo de grilo ou indisposição por causa da saída dele. Pelo contrário, dou e vou sempre dar a maior força pra ele porque é um músico de mão cheia e merece participar de uma banda que está estourando aí por esse Brasilzão de quem? De meu Deus.

Aí ficamos eu, Pedro e Thiago naquela situação: o que fazer? Arrumar outro baterista e começar do zero de novo, ter todo aquele processo de conhecer uma nova pessoa, e etc. Confesso que pensei até em parar de ter banda. Deu uma descrença e um cansaço. Então eu liguei pro Thiago e falei pra ele que tínhamos duas opções: arrumar um novo baterista pra banda nova ou encher o saco do Pierre pra que ele voltasse a tocar com a gente. Dei a opção do Pierre porque, depois de quase 1 ano sem tocar, ele vez ou outra me confidenciava uma certa saudade da vida em banda. Nesta mesma sexta-feira, fui até a casa do Pierre. Falei pra ele o que estava acontecendo com a banda nova e disse pra ele que seria uma motivação única se a gente voltasse a tocar junto e aproveitasse o disco que a gente tem de crédito no estúdio pra gravar um novo disco do Violins.

Confeso que fui sem muita esperança, porque o Pierre é o cara mais doido que eu conheço. Mas é aquele doido do coração maior, o doido de natureza, que é impossível você não amar e querer estar perto. Tão doido que já tinha vendido a sua bateria, ferragens, caixa, etc. Ele tinha parado de tocar totalmente. Mas naquela tarde acho que ele sentiu novamente que era hora de voltar a tocar, de fazer parte de uma banda de novo, de compor músicas de novo. E me disse que ia pensar e me respondia em breve. Passaram-se dois dias e ele me ligou e disse: "cara, passei o dia aqui ouvindo os discos, e to com muita vontade de voltar a tocar de novo. Vamos voltar a tocar."

Era o que eu, pessoalmente, precisava de ânimo pra continuar tendo banda. Voltar a gravar com essas mesmas pessoas um disco é uma coisa que eu já não esperava mais e que veio numa hora muito massa pra todos nós. Fui com o Pierre numa loja de instrumentos de Goiânia e compramos tudo que ele tinha vendido. Marcamos uma reunião pra sábado último e definimos o que a gente está com vontade de tocar e compor. Chegamos fácil a um consenso. Marcamos um primeiro ensaio de retorno para sábado próximo, coincidentemente dia do aniversário do Pierre.

Sei que às vezes pode parecer meio loucura a história de percalços dessa banda. Mas é tudo muito sincero. Um dia, deu vontade de parar de tocar e descansar de tudo, sair daquele hábito já corriqueiro demais. Passado um tempo, a vontade de fazer tudo de novo voltou e a gente se joga nisso de novo sem medo do julgamento alheio. Até porque a gente vai fazer esse disco simplesmente porque a gente gosta muito de tocar junto. E, se tiver alguém que vá ouvir e se identificar, a gente só tem a agradecer.

Vai ser um disco do Violins no estilo tradicional, com uma guitarra bem alta no ouvido de todo mundo. Vamos gravar o disco e depois fazer shows pra lançá-lo normalmente. Como qualquer banda!

Espero inclusive ir nas cidades que não fomos ainda. Ainda dá tempo!

(Beto Cupertino)

***

Quando a felicidade vem como a um bêbado é imediato.

domingo, 10 de maio de 2009

Em Outra Estação.

Sei que não tenho a força que tens
Se me vejo feliz quase sempre exijo um talvez
Ela mora perto de um vulcão
E meu coração suburbano espera riquezas maiores
Eu sigo o calendário maia
E sou descendente dos astecas
Hoje vai ter prova
Mas no final da aula
Acho que tem futebol
Gosto quando estou feliz
Gosto quando sorris para mim
Estou longe, longe
Estou em outra estação
Não me digam como devo ser
Gosto do jeito que sou
Quem insiste em julgar os outros
Sempre tem alguma coisa p'ra esconder
Teu corpo alimenta meu espírito
Teu espírito alegra minha mente
Tua mente descansa meu corpo
Teu corpo aceita o meu como a um irmão
Longe longe, estou em outra estação
Todos fazem promessas demais
Temos muito o que aprender
É um feitiço tão latino
Essa preguiça ser feitiço
Mas tudo bem
Voltarás na terça-feira
És fogo e gelo ao mesmo tempo
E vai ser bom
Do Equador, da Venezuela, do Uruguai
Teremos o fim-de-semana só p'ra nós
Venha comigo
Não tenha medo
Tem muita gente
Que pensa o mesmo
Estou longe, longe
Estou em outra estação.
Estou longe, longe.

(Uma Outra Estação, Legião Urbana)