sábado, 9 de fevereiro de 2008

Retrato.

Como é que o encontro dessas mãos traz tanta solidão?
Não é que eu tenha um coração vulgar, mas vou te abandonar

Não diga nada
Porque eu não consigo te ouvir
Eu não consigo te ouvir

Quando você diz que eu não sou capaz de dividir
Mas sei que você precisa de mais
Só um pouco mais de atenção


Quando foi que a força desse bom rapaz se desgovernou?
Não é que eu não possa ser capaz de ser o que você quer

Me diz que eu não sou capaz de dividir
Mas sei que você precisa de mais
Só um pouco mais de atenção
(Por que você destrói tudo que eu sou e então me cobra tudo que eu não sou?)

E tudo o que disser não vai fazer você voltar pra dizer
Que já não é a mesma coisa eu estar com você

Você se distrai e não vê as mãos
Que pedem paz e não perdão

(Auto-Paparazzi, Violins)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

A volta dos que não foram.

Título bem coxa esse, viu? Mas acho que ideal para a circunstância. De volta a BH. De volta ao meu mundo.

Observação:

21:21 Chego a Rodoviária de Uberlândia.
07:07 Relógio da Praça Raul Soares, em BH.

Um exato intervalo entre dois números que me lembram muito bem alguém. Não dá pra acreditar nisso.

E quer saber? A verdade é eu continuo apaixonado por você, Thais. É inútil? Sim. Mas é isso. Não tive descanso nenhum dia. Todos os dias você batia à porta da minha mente. Todos os dias era você quem saciava o meu parco desejo. Todos os dias era você que assombrava minha cabeça antes de dormir. Todos os filmes que eu vi me lembraram você. O livro que eu li me deixou perplexo - me fazia te entender um pouco melhor. Não gosto muito de ler, mas não consegui deixar de desgrudar meus olhos das páginas - e sequer parei pra ficar conferindo o número da página, como sempre faço ao atestar minha falta de paciencia para a leitura.

Eu queria te mandar o livro de poeminhas do Caeiro que eu ganhei.
Queria te mandar o primeiro disco do Killers que me lembra você; o primeiro do Interpol. Aliás, nunca ouvi tanto Interpol em minha vida.

Queria encher a sua caixa de entrada do e-mail dizendo as mesmas bobagens que eu te digo. Queria pegar o meu 'caderno-diário' que eu comprei para anotações banais e transcrever para você as duas cenas que me vieram a cabeça quando eu senti desejo por você. Nunca antes eu sequer havia me aventurado a escrever sobre sexo. E de repente não aguentei e fui visitar o meu caderno, de súbito. É foda ter desejo!

Basicamente durante esses dois horários supracitados eu fiquei pensando no que escrever para você amanhã. Porque eu jamais iria ser capaz de deixar passar em branco essa data. Nunca conseguiria. Bem que se diga, há muito tempo que eu espero por esse dia. Fiz contagem regressiva rumo a 08/02/2008.

Chego em casa e depois de três semanas vejo uma foto sua.

E eu acho que você pensa que eu digo tudo da boca pra fora. Você é a coisa mais linda do mundo. E isso é foda. E eu amo você. E isso é mais foda ainda. Porque é inútil. E porque eu fiquei com saudade de você durante todo esse tempo por mais que você ache que não. Maldita saudade.

E se você acha que eu vou fazer com você o que outros fizeram que te machucou, está muito enganada: promessa é promessa. E eu prometi que não iria sumir da sua vida. E de fato não irei. Só que eu preciso de um pouco de tempo pra tentar sublimar esse amor, essa paixão, esse desejo que eu tenho por você. Porque na verdade, eu não quero te perder. Mas preciso aprender a dar um passo atrás. Voltar a ser apenas um amigo virtual. Não é fácil.

Por enquanto, fica o registro. Aqui em BH posso voltar a ter um pouco mais de privacidade para escrever com mais calma.

Eu amo você Thais.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Questionamentos.

Eu queria entender apenas uma coisa: por que as coisas precisam sempre ser como são? Sempre fica a sensação de que poderia ser diferente. Mas parece que a dor é sempre necessária. Se não houver, não marca.

Bem que meu queridão Cartola já dizia: de cada amor tu herdaras só o cinismo. Sábio.

Sempre a dor vence o amor. Por que? Sempre os mesmos erros...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Cenas de um Filme Mudo.

Se eu morrer novo,
Sem poder publicar livro nenhum,
Sem ver a cara que têm os meus versos em letra impressa
Peço que, se se quiserem ralar por minha causa,
Que não se ralem.
Se assim aconteceu, assim está certo.

Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos,
Eles lá terão a sua beleza, se forem belos.
Mas eles não podem ser belos e ficar por imprimir,
Porque as raízes podem estar debaixo da terra
Mas as flores florescem ao ar livre e à vista.
Tem que ser assim por força. Nada o pode impedir.

Se eu morrer muito novo, oiçam isto:
Nunca fui senão uma criança que brincava.
Fui gentio como o sol e a água,
De uma religião universal que só os homens não têm.
Fui feliz porque não pedi coisa nenhuma,
Nem procurei achar nada,
Nem achei que houvesse mais explicação
Que a palavra explicação não ter sentido nenhum.

Não desejei senão estar ao sol ou à chuva -
Ao sol quando havia sol
E à chuva quando estava chovendo
(E nunca a outra coisa),
Sentir calor e frio e vento,
E não ir mais longe.

Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão -
Porque não tinha que ser.

Consolei-me voltando ao sol e à chuva,
E sentando-me outra vez à porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraído.

(Alberto Caeiro)

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Funeral.

http://www.youtube.com/watch?v=FQUJoegbC0k

Não consigo me segurar.
Um dia escrevo melhor sobre isso.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Nu.

Frio na barriga.